sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Atendimento Educacional Especializado com o aluno deficiente intelectual

Jogo Cara a Cara no
AEE com o aluno deficiente intelectual 



Desde minha infância fui apaixonada por jogos de tabuleiro. Dentre os meus jogos prediletos estavam o Jogo da Vida, Imagem e Ação, War, Banco Imobiliário e o Cara a Cara. Cara a Cara foi um jogo de tabuleiro lançado em 1986 pela empresa Estrela. É composto por dois tabuleiros e fichas com imagem de personagens e seus respectivos nomes.
Cada participante escolhe uma ficha contendo a imagem de um personagem. Deve fazer perguntas ao adversário, cujas respostas só podem ser sim ou não, referentes às características dos personagens, por exemplo, cor dos olhos, cor do cabelo, uso de óculos, tamanho da boca e outros. A medida que as perguntas são respondidas, deve-se descartar as opções do tabuleiro que não correspondem a dica dada. O objetivo do jogo é através de perguntas e raciocínio lógico, descobrir o personagem do seu adversário.
Em meu trabalho no Atendimento Educacional Especializado revisitei este meu antigo gosto por jogos de tabuleiro buscando desenvolver um trabalho prazeroso e funcional com os alunos com deficiência intelectual. Busquei e encontrei a versão mais recente do jogo Cara a Cara.
No trabalho com alunos com deficiência intelectual o jogo Cara a Cara contribui para o seu desenvolvimento cognitivo. Considerando as características cognitivas do aluno com deficiência intelectual, este jogo possibilita a intervenção do docente para que o aluno seja capaz de realizar o planejamento das suas ações diante de uma situação problema, de exercitar a auto-regulação e a metacognição.
Ao utilizar o jogo Cara a Cara como um recurso pedagógico, inicialmente, o primeiro desafio será explorar as fichas e o tabuleiro do jogo. O professor de AEE poderá estimular o aluno a conhecer cada um dos personagens que constam nas fichas e desenvolver a percepção de suas características, semelhanças e diferenças. Pode-se solicitar que o aluno faça diferentes tipos de agrupamento e pareamento considerando o sexo (homem ou mulher), a cor do cabelo, dos olhos, da barba, da sobrancelha, o uso de óculos, chapéu, boné, o tamanho da boca e outros.
Posteriormente, o desafio será compreender as regras e segui-las durante a execução do jogo. Neste momento, é fundamental explorar os atendimentos em grupo, com dois ou mais alunos com deficiência intelectual, no qual o professor de AEE deve ser o mediador durante o jogo. Posteriormente, o aluno deve ser orientado a construir estratégias para jogar e vencer o seu adversário. Em caso de alunos alfabetizados pode-se estimular também o uso funcional da leitura e escrita para leitura do nome dos personagens, para o registro escrito do desenvolvimento do jogo, dentre outras atividades.
Em minha prática no AEE, observei também que o jogo favorece o desenvolvimento da atenção seletiva, da memória visual e auditiva, favorece a troca simbólica com os pares e, por meio da intervenção do docente, poderá possibilitar que o aluno deficiente intelectual construa estratégias para mobilizar os próprios recursos cognitivos, desenvolver maior autonomia intelectual e a auto-estima.
É possível adaptar o jogo, ampliando as fichas de personagens e as peças do tabuleiro para facilitar o manuseio e para explorar com maior ênfase as características dos personagens. No entanto, até o momento utilizei este recurso apenas em sua versão original.
As atividades com o jogo Cara a Cara são muito prazerosas. Os alunos com os quais desenvolvi atividades envolvendo este jogo melhoraram a qualidade das relações sociais, experimentaram experiências de sucesso e diminuíram gradativamente a dependência do outro para a realização do jogo. Sugiro a todos/as professores/as de AEE e seus respectivos alunos que se divirtam e aprendam muito jogando Cara a Cara!




segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Deficiência Física - Recursos de Tecnologia Assistiva

Informática Acessível

Imagem disponível em:http://luiz-projeto3.wikispaces.com/introducao. Acesso em 02/09/2013.


Uma questão importante no Atendimento Educacional Especializado para o/a aluno/a com deficiência física diz respeito à acessibilidade. Acessibilidade é condição de possibilidade para a transposição dos entraves que representam a efetiva participação de pessoas nos vários âmbitos da vida social. A acessibilidade é, portanto, condição fundamental e imprescindível a todo e qualquer processo de inclusão educacional, e se apresenta em múltiplas dimensões, incluindo aquelas de natureza atitudinal, física, tecnológica, informacional, comunicacional, linguística e pedagógica, dentre outras.

A informática acessível configura-se como uma grande possibilidade, no espaço educacional inclusivo, uma vez que por meio do uso do computador o/a aluno/a poderá acessar informação em sites e bibliotecas digitais, fazer pesquisas individualmente ou em grupo, desenvolver habilidades de comunicação com auxílio de uma variedade de ferramentas (ex.: e-mails, mensagens instantâneas, fóruns, blogs), produzir conhecimento com seus colegas e com crianças e jovens de outras escolas veiculados em diferentes mídias (ex.: textos, imagens, sons, vídeos, apresentações multimídia, sites), integrar redes sociais. Além de poder utilizar diferentes softwares educativos e produzir conhecimento de forma autônoma, instigante e interativa. 

Dentre os recursos da informática acessível está o Mouse Big Track Trackball. Mouse especial com esfera gigante de 7 cm de diâmetro, que possibilita o movimento do cursor na tela exigindo menor necessidade de controle motor fino por parte do usuário. Possui dois botões grandes com funções equivalentes às teclas esquerda e direita do mouse convencional e um visual muito atraente e cores vivas. O modelo adaptado permite a conexão de dois acionadores externos para executar em paralelo as funções dos botões azuis (teclas esquerda e direita do mouse convencional).

Imagem disponível em: www.click.com.br. Acesso em 02/09/2013.

Este recurso pode ser útil, por exemplo, nas atividades envolvendo produções de texto por meio do computador, acesso à sites para  pesquisas e ainda viabilizar formas alternativas de comunicação, com o uso de softwares como o Boardmaker. É funcional para aquele/a aluno/a que não é capaz de manusear o mouse convencional, mas tem algum controle do movimento da mão. Poderá ampliar a habilidade funcional do/a estudante em produzir registros escritos e, também, de comunicação caso seja utilizado conjuntamente com um software de comunicação alternativa.

Uma pessoa com deficiência física, devido a sua limitação de mobilidade e comunicação, tende a usar mais o computador e, através dele, passa a ter acesso a lugares e conhecimentos de seu interesse. Para aqueles que possuem dificuldade de comunicação, o computador pode se tornar uma ferramenta de expressão quando utilizado para transmitir idéias, necessidades, sentimentos, etc.

Ao mediar a utilização deste recurso, tanto o/a professor/a de AEE como o/a professor/a da sala de aula regular, poderão ampliar a participação social da pessoa com deficiência física, suas possibilidades de desenvolvimento de habilidades, entendendo suas potencialidades e assistindo-os/as em suas restrições, não somente aquelas impostas pela condição física (alteração da estrutura e função do corpo biológico), mas também as de ordem psicológicas, educacionais e sociais.