Jogo Cara a Cara no
AEE com o aluno deficiente intelectual
Desde minha infância fui apaixonada por jogos de tabuleiro. Dentre os meus jogos prediletos estavam o Jogo da Vida, Imagem e Ação, War, Banco Imobiliário e o Cara a Cara. Cara a Cara foi um jogo de tabuleiro lançado em 1986 pela empresa Estrela. É composto por dois tabuleiros e fichas com imagem de personagens e seus respectivos nomes.
Cada participante escolhe uma ficha contendo a imagem de um personagem. Deve fazer perguntas ao adversário, cujas respostas só podem ser sim ou não, referentes às características dos personagens, por exemplo, cor dos olhos, cor do cabelo, uso de óculos, tamanho da boca e outros. A medida que as perguntas são respondidas, deve-se descartar as opções do tabuleiro que não correspondem a dica dada. O objetivo do jogo é através de perguntas e raciocínio lógico, descobrir o personagem do seu adversário.
Em meu trabalho no Atendimento Educacional Especializado revisitei este meu antigo gosto por jogos de tabuleiro buscando desenvolver um trabalho prazeroso e funcional com os alunos com deficiência intelectual. Busquei e encontrei a versão mais recente do jogo Cara a Cara.
No trabalho com alunos com deficiência intelectual o jogo Cara a Cara contribui para o seu desenvolvimento cognitivo. Considerando as características cognitivas do aluno com deficiência intelectual, este jogo possibilita a intervenção do docente para que o aluno seja capaz de realizar o planejamento das suas ações diante de uma situação problema, de exercitar a auto-regulação e a metacognição.
Ao utilizar o jogo Cara a Cara como um recurso pedagógico, inicialmente, o primeiro desafio será explorar as fichas e o tabuleiro do jogo. O professor de AEE poderá estimular o aluno a conhecer cada um dos personagens que constam nas fichas e desenvolver a percepção de suas características, semelhanças e diferenças. Pode-se solicitar que o aluno faça diferentes tipos de agrupamento e pareamento considerando o sexo (homem ou mulher), a cor do cabelo, dos olhos, da barba, da sobrancelha, o uso de óculos, chapéu, boné, o tamanho da boca e outros.
Posteriormente, o desafio será compreender as regras e segui-las durante a execução do jogo. Neste momento, é fundamental explorar os atendimentos em grupo, com dois ou mais alunos com deficiência intelectual, no qual o professor de AEE deve ser o mediador durante o jogo. Posteriormente, o aluno deve ser orientado a construir estratégias para jogar e vencer o seu adversário. Em caso de alunos alfabetizados pode-se estimular também o uso funcional da leitura e escrita para leitura do nome dos personagens, para o registro escrito do desenvolvimento do jogo, dentre outras atividades.
Em minha prática no AEE, observei também que o jogo favorece o desenvolvimento da atenção seletiva, da memória visual e auditiva, favorece a troca simbólica com os pares e, por meio da intervenção do docente, poderá possibilitar que o aluno deficiente intelectual construa estratégias para mobilizar os próprios recursos cognitivos, desenvolver maior autonomia intelectual e a auto-estima.
É possível adaptar o jogo, ampliando as fichas de personagens e as peças do tabuleiro para facilitar o manuseio e para explorar com maior ênfase as características dos personagens. No entanto, até o momento utilizei este recurso apenas em sua versão original.
As atividades com o jogo Cara a Cara são muito prazerosas. Os alunos com os quais desenvolvi atividades envolvendo este jogo melhoraram a qualidade das relações sociais, experimentaram experiências de sucesso e diminuíram gradativamente a dependência do outro para a realização do jogo. Sugiro a todos/as professores/as de AEE e seus respectivos alunos que se divirtam e aprendam muito jogando Cara a Cara!



