Hoje, aos 39 anos, decidi voltar a escrever um diário. Pensei em escrever em um caderno bonito que está aqui na estante, mas me lembrei desse blog e resolvi escrever aqui. Primeiro, porque fiquei com dó de usar o tal caderno para uma finalidade que me parece ser banal. Segundo, porque pensei que pode ser interessante para mim escrever esse diário pelo computador. Importante destacar aqui: a decisão de escrever esse diário é porque hoje, me dei conta, que a escrita pode ser terapêutica. Eu e eu mesmo, dizendo sobre a vida, sobre os meus pensamentos e sobre a escrita na minha vida de estudante, mais especificamente, doutoranda em educação.
Então, abri o blogger e aqui estou. Interessante que a última publicação deste blog é de muito tempo atrás... Acho que uns dez anos. Ele foi criado como uma tarefa de uma pós-graduação em Educação Especial que iniciei e não conclui. (Nota: depois quero falar aqui sobre começar e não concluir). A última publicação foi de 2011, eu acho. Lembro que quando criei o blog achei interessante e pensei em continuar com ele. De fato continuei, fazendo posts sobre a temática da Educação Especial e o Atendimento Educacional Especializado.
Corta para mim, agora, voltando para o blog para escrever algo análogo. Estou pesquisando no campo da Educação Especial, o meu objeto de pesquisa é o Atendimento Educacional Especializado e a escrita neste blog é uma estratégia para evitar o bloqueio na escrita.
Não quero sofrer com a escrita da tese. Quero ter um doutorado leve. Quero que seja prazeroso. Quero me sentir capaz e produzir uma tese com relevância para a área. Todas são resoluções e frases que foram ditas por mim essa semana. Grande passo para quem passou grande parte do ano passado, de junho de 2022 para frente, sofrendo com a escrita.
A escrita acadêmica me remete a um sofrimento e no ano passado, desconfio que um processo de adoecimento. Faço terapia desde junho de 2021, quando estávamos em isolamento, em função da pandemia, trabalhava em home office e ainda estava cuidando da minha mãe recém operada que eu escolhi que estivesse hospedada em minha casa. Só sei que em sábado de manhã eu surtei aqui e decidi que no início da semana seguinte começaria a terapia. Depois volto nesse episódio e nas explosões emocionais... Feito esse parêntese, uma frase que me marcou em uma sessão de terapia do ano passado foi quando a psicóloga disse que eu estava embotada. Dei um google e entendi que embotamento era um estado de adoecimento psicológico. Eu que em boa parte da minha vida adulta estive envolta às questões da loucura e da saúde mental em minha vida, senti medo. Medo de enlouquecer... Por causa da tese? Não somente. Mas a escrita, o bloquei que eu sentia para escrever, a relação doentia que tinha com a escrita e a minha suposta dificuldade de escrever foram um dos fatores para esse estado de embotamento.
Terminei o ano e pensei que isso precisava mudar. Essa é minha resolução de início de ano. Quero fazer diferente. Quero que esses anos no doutorado sejam anos felizes, prazerosos, cheio de vida, afeto, emoções. Quero me sentir bem ao escrever e que essa experiência seja algo que eu me orgulhe. Não somente pelo título, mas também pela alegria de ter produzido uma tese bacana.
Conclui o mestrado em 2010. Fevereiro de 2010. Nesse ano fazem quase 13 anos. E só retomei o doutorado depois de 12 anos da minha defesa da dissertação de mestrado. Foi sofrido. Fiquei anos sem nem abrir o texto da dissertação. Demorei muito para solicitar o meu diploma e entregar a versão final encadernada na secretaria do programa e não fiquei com nenhuma dessas versões bonitas aqui para mim. Pensando bem acho que vou fazer uma para deixar aqui no meu escritório.
Em 2021 decidi que iria voltar a estudar. Sempre gostei de estudar - durante toda a minha vida - e minha professora, amiga e novamente minha orientadora me incentivou. Nos primeiros meses de 2022 quando ingressei no doutorado achei que tinha me curado dos traumas com a escrita, com o estudo e com a produção da dissertação. Estava de novo radiante com a possibilidade de estar estudando, aprendendo, conhecendo pessoas e ideias novas. E olha que eu já estava casada, com quase quarenta anos e com um filho com quatro anos, na ocasião. Mas não era verdade. Eu não tinha me curado. Bastou chegar o tempo da escrita de trabalhos finais, exercícios, atividades pequenas que envolviam a escrita que eu não fazia. Não entregava, fazia de última hora.
E os sentimentos... Incapacidade, vergonha, tristeza, ansiedade, vontade de desistir, sentimento de que aquele não era o meu lugar, que eu não era boa o suficiente... Então, fui adoecendo... Várias amigas, a quem só tenho a agradecer, foram percebendo que eu estava diferente, que eu tinha perdido o brilho, a risada frouxa (que é uma das minhas características), perdido a energia, perdido a memória, o desejo, o interesse... E foi indo... Até chegar a pensar em pedir no Colegiado do programa para adiar a escrita do projeto.
E até escrevi uma carta para fazer esse pedido. Fiquei pensando aqui em reler essa carta. Tem uma outra questão minha que penso poder resolver nessa escrita terapêutica (são muitas questões kkk culpa, agressividade, medo de fracassar, bloqueio da escrita, grande senso de autocrítica e a capacidade que tenho para criar desculpas e elaborar um enredo para justificar as minhas faltas e falhas).
Mas, por hoje, é isso. Eu entreguei o projeto por volta de 21h do dia 23 de dezembro de 2022. O prazo final para envio era à meia noite. Eu reli o que eu escrevi e gostei. Precisa de ajustes, claro, mas eu gostei. Então é isso, em meio à lágrimas e todo sofrimento do ano passado, acho que ressurgi esse ano querendo mudar. Fazer diferente.
Nota: amanhã quero falar/escrever sobre a Educação Especial em minha vida e meus valores nesse campo. Quero falar também sobre as minhas escritas espontâneas na infância... sentada na lage da minha casa.
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